13/05/2014

Parlamentares evangélicos receberam doações de empresas investigadas no escândalo da Petrobrás

A Petrobrás, maior empresa brasileira, vive uma fase de exposição pública de escândalos de corrupção e agora uma parte dos holofotes recai sobre parlamentares da bancada evangélica que integram uma lista de beneficiados por empresas fornecedoras da petroleira que estão sendo investigadas pela Polícia Federal.

Entre os 121 parlamentares que receberam doações de campanha dessas empresas, estão nomes como Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Marcelo Aguiar (DEM-SP), Benedita da Silva (PT-RJ), Magno Malta (PR-ES), Marcelo Crivella (PRB-RJ), Walter Pinheiro (PT-BA), entre outros.

De acordo com a revista Veja, a Polícia Federal descobriu que os “grupos empresariais ambicionavam estabelecer relações com um espectro amplo de partidos e políticos” e que “um em cada cinco deputados e um em cada três senadores eleitos receberam alguma doação oficialmente das empresas” ligadas de alguma forma ao esquema de corrupção do doleiro Alberto Yousef ou ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

O total doado pelas empresas fornecedoras da Petrobrás chegou a R$ 852 milhões entre os anos de 2006 a 2012. Entre os partidos que mais receberam doações, o PT puxa a fila com R$ 12,6 milhões, seguido pelo PP, R$ 4,4 milhões; PMDB, R$ 3 milhões; Democratas, R$ 2,9 milhões; e PSDB, R$ 2,3 milhões.

O deputado evangélico Eduardo Cunha aparece como recebedor de R$ 500 mil em doações do grupo de empresas. Já o cantor gospel Marcelo Aguiar recebeu R$ 100 mil, enquanto Benedita da Silva, R$ 3 mil.

A deputada Bruna Furlan (PSDB-SP), ligada à Congregação Cristã no Brasil e filha do ex-prefeito de Barueri, aparece como beneficiada das empresas em R$ 400 mil. O senador Magno Malta, postulante à presidência da República, teria recebido R$ 200 mil em doações, assim como seu colega Walter Pinheiro. O pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, bispo Marcelo Crivella, teria recebido R$ 100 mil.

O Congresso tem dado andamento à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos em torno do esquema, mas há quem se preocupe com a eficácia das investigações, uma vez que boa parte dos membros da Câmara e do Senado estão envolvidos de alguma forma.

“Não significa que todos vão defender os interesses desses grupos, mas, em qualquer decisão que se tome, tem que ser analisado se os parlamentares não servem aos interesses de financiadores. Isso só pode ser verificado na atuação concreta”, comentou Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da ONG Transparência Brasil.


Fonte:: Gosel+ [site]

Compartilhe!