19/02/2015

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Escola Dominical (CPAD) - 1° Trimestre de 2015


A Lei de Deus: Valores imutáveis para uma sociedade em constante mudança

Lição 1 – Deus dá a sua Lei ao Povo de Israel [4SHARED] [ISSUU]
Lição 2 – O Padrão da Lei Moral [4SHARED] [ISSUU]
Lição 3 – Não Terás outros deuses [4SHARED] [ISSUU]
Lição 4 – Não farás imagens de Esculturas [4SHARED] [ISSUU]
Lição 5 – Não Tomarás o Nome do Senhor Deus em Vão [4SHARED] [ISSUU]
Lição 6 – Santificarás o Sábado [4shared] [ISSUU]
Lição 7 – Honrarás Pai e Mãe [4shared] [ISSUU]
Lição 8 – Não Matarás [4Shared] [ISSUU]
Lição 9 – Não adulterarás [4Shared] [ISSUU]
Lição 10 – Não furtarás [4Shared] [ISSUU]
Lição 11 – Não darás Falso Testemunho
Lição 12 – Não cobiçarás
Lição 13 – A Igreja e a Lei de Deus

EBD 2015 - 1° Trimestre - Lição 08: Não matarás


Lição de número 08 da Escola Dominical a ser ministrada em todas as Assembleias de Deus no Brasil

INTRODUÇÃO

O sexto mandamento manifesta o propósito de Deus pela proteção da vida. Sua vontade é que os seres humanos façam o mesmo. O tema é abrangente e complexo, razão pela qual deve ser estudado com diligência. A lei diz "não matarás". Isso não contraria a guerra, a pena capital e o próprio pensamento cristão? Mas o assunto não se encerra por aí. Esse é o tema do presente estudo.

I. O SEXTO MANDAMENTO

1. Abrangência. Este é o primeiro mandamento que consiste em uma proibição absoluta, sem concessão, expressa de maneira simples com duas palavras: "Não matarás" (Êx 20.13; Dt 5.17). A legislação mosaica dispõe sobre o tema ao longo do Pentateuco, cuja abrangência fala contra a violência, o assassinato premeditado e o não premeditado. Temas como guerra, pena capital, suicídio, aborto e eutanásia são pertinentes ao sexto mandamento.

2. Objetivo. O sexto mandamento reflete o ensino geral do Antigo Testamento sobre o respeito à santidade da vida. 0 Senhor Jesus incluiu aqui o ensino sobre o amor (Mt 5.21,22). No novo concerto Ele inclui "pensamentos e palavras, ira e insultos". O Novo Testamento considera homicida quem aborrece a seu irmão (1 Jo 3.15). O objetivo deste mandamento é religioso e social, com o propósito de proteger a vida e trazer a paz entre os seres humanos (Mt 5.44; Rm 12.18).

3. Contento. "já era um mandamento antigo, mas agora é introduzido de uma forma nova. O respeito à vida era conhecido na Antiguidade pelos mesopotâmios, egípcios e gregos, entre outros. O Código de Hamurabi (1750 a.C.), rei da Babilônia, é um exemplo clássico, contudo não se revestia de autoridade divina. Essa é a primeira distinção entre os códigos antigos e a revelação do Sinai. A outra é que Deus pôs sua lei no coração e na consciência dos demais povos (Rm 1.19; 2.14,15). 

II. IMPORTÂNCIA

1. Da vida. A vida é um dom de Deus e ninguém tem o direito de tirá-la (Gn 9-6). Somente Deus, que criou o homem à sua imagem, tem o direito de pôr fim à vida humana (Gn 1.26,27; Dt 32.39). Três grandes personagens da Bíblia pediram a morte e não foram atendidas: Moisés, Elias e Jonas (Nm 11.15; 1 Rs 19.4; Jn 4.3). Tudo isso nos mostra que a vida pertence a Deus, e não a nós mesmos. Deus sabe a hora em que a vida humana deve cessar, Ele é o soberano de toda a existência.

2. Não matar. A proibição do sexto mandamento é não assassinar. O verbo hebraico ratsach, "matar, assassinar, destruir", aparece 47 vezes no Antigo Testamento, em sua maior parte nos textos legais. A primeira ocorrência é nos Dez Mandamentos (Êx 20.13). A tradução mais precisa das palavras lo e tirtsach seria: "não assassinarás", ou "não cometerás assassinato", pois "não matarás" é uma expressão genérica. O dispositivo mosaico proíbe o homicídio premeditado, o assassinato violento de um inimigo pessoal (Êx 21.12; Lv 24.17). O termo refere-se também a homicídio culposo, aquele em que não há intenção de matar (Dt 4.42; Js 20.3).

3. Etimologia. São raros os termos correspondentes ao verbo ratsach nas línguas cognatas; só no norte da Arábia foi encontrado o verbo radaha, "quebrar em pedaços, estilhaçar". O termo ratsach não é usado na guerra nem na administração da justiça e não aparece no contexto judicial e militar. Parece haver uma única ocorrência em que ele é aplicado à pena de morte (Nm 35.30), mas estudos mostram que originalmente a ideia do verbo era de vingança de sangue.

III. PROCEDIMENTO JURÍDICO

1. Significado do homicídio. O homicídio é o maior crime que um ser humano pode cometer. A proibição do assassinato, apesar de constar dos códigos de leis anteriores ao sistema mosaico, já havia sido estabelecido pelo próprio Criador desde o limiar da raça humana: "Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem" (Gn 9.6). É contra Deus que o homicida está desferindo seu golpe ao tirar a vida de alguém, pois a imagem é a representação de uma pessoa ou coisa.

2. Homicídio doloso (Nm 35.16-21). Aqui são dadas instruções específicas acerca do procedimento jurídico sobre o homicídio doloso. Se alguém ferir de morte seu próximo, "com instrumento de ferro" (v. 16), "com pedra à mão" (v. 17) ou ainda "com instrumento de madeira" (v.17), ou por qualquer outra forma (vv.20,21), e a pessoa golpeada morrer, o autor da ação é considerado homicida. O substantivo "homicida", rotseach, vem do verbo ratsach e aparece repetidas vezes aqui. Trata-se de homicídio doloso.

3. Homicídio culposo (Nm 35.22- 25). Era o crime involuntário e acidental, razão pela qual o autor não devia morrer, e a lei estabeleceu o procedimento a ser seguido para livrar o réu da pena de morte. Ele precisava se refugiar numa das cidades de refúgio até provar que o homicídio fora acidental (Dt 19.4-6). A outra maneira de escapar das mãos do vingador do sangue era agarrar-se nas pontas do altar (Êx 21.12-14; 1 Rs 1.50, 51). Esses dois recursos equivalem ao habeas corpus concedido atualmente.

IV. PUNIÇÃO

1.O sangue de Abel. O termo "sangue" de Abel em "A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra" (Gn 4.10), está no plural, no hebraico, que segundo o Talmude, antiga literatura religiosa dos judeus, significa "sangue de sua descendência" ou seja: "todo aquele que destruir uma vida em Israel a Escritura reputa como se tivesse destruído o mundo inteiro" (Sanedrin 4.5). Tal crime interrompe para sempre a posteridade da vítima. Em Hebreus é dito que o sangue da aspersão, de Cristo, fala melhor do que o sangue de Abel (Hb 12.24). Isso porque o sangue de Jesus clama por misericórdia, mas o de Abel por vingança (Gn 4.10,11).

2.O vingador. A lei dava o direito ao "vingador do sangue" (Nm 35.19,21b), goel, em hebraico, "redentor, remidor, vingador", de matar o assassino onde quer que o encontrasse. Vingar o sangue era, no Oriente Médio, uma questão de honra da família (Êx 21.24; Lv 24.20; Dt 19.21). Era uma grande desonra para a família não vingar o assassinato de um ente querido. Isso é mantido ainda hoje nessa parte do mundo. Porém, o Senhor Jesus mandou substituir a vingança pelo perdão (Mt 5.38,39).

3. Expiação pela vida. O crime de assassinato podia ser expiado por uma das duas maneiras estabelecidas na legislação mosaica. A primeira, no caso de homicídio doloso, em que uma vida é expiada por outra (Nm 35.31), o assassino deve ser morto, ou seja, era "vida por vida" (Êx 21.23). A segunda diz respeito ao homicídio culposo, a busca de proteção em uma das cidades de refúgio. A expiação, nesse caso, é a morte do sacerdote da cidade (Nm 35.25).

CONCLUSÃO 

O Senhor Jesus vinculou o sexto mandamento à doutrina do amor ao próximo. Devemos manter nossa posição em favor da paz e da fraternização dizendo "não" à violência em suas diversas modalidades, para a glória de Deus.


Subsídios da Lição 08: Não matarás

** Todo o conteúdo desta lição estará disponível em PDF a partir das 15:30h de quinta-feira dia 19/02/2015 (horário de Brasília/DF) - O Editor

SUBSÍDIO TEOLÓGICO I

“Não matarás (20.13).


 ‘Assassinar' é mais precioso aqui do que ‘matar'. A palavra hebraica rasah é a única sem paralelo em outras sociedades do segundo milênio a.C.Ela identifica 'morte de pessoas’; e inclui assassinatos premeditados executados com hostil intenção e mortes acidentais ou homicídios culposos. Dentro da comunidade da aliança, precisava- se tomar um grande cuidado para que ninguém perdesse a vida, mesmo por acidente, o termo rasah não é aplicado em mortes na guerra ou em execuções judiciais" 


(RICHARDS, Lawrence O. Gola do Leitor da Bíblia; Uma análise de Gênesis a Apocalipse Capítulo por Capítulo. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 64).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO II

"Cidades de Refúgio 

Entre as 48 cidades dadas aos levitas em Israel, seis, por ordem de Deus, foram indicadas como cidades de refúgio, ou asilo, para o 'homicida' (Nm 35.6,7). O próprio Moisés escolheu três delas no lado leste do rio Jordão: Bezer para os rubenitas, Ramote, em Gileade, para os gaditas; Golã, em Basã, para os manassitas (Dt 4.41-43). Mais tarde, na época de Josué, as outras três foram indicadas na parte oeste do Jordão. Elas estavam convenientemente situadas nas regiões norte, central e sul da terra que habitavam. Seriam construídas e mantidas abertas estradas para essas importantes cidades (Dt 19.3).

Em Hebreus 6.18 está indicado que as cidades de refúgio eram um tipo de Cristo. O apóstolo faz alusão a isso quando fala daqueles que fugiram procurando um refúgio, e também da esperança oferecida a eles. Nós procuramos o refúgio em Cristo, e nEle estamos a salvo do Vingador do sangue divino (Rm 5-9)" 



(PFEIFFER, Charles F. (Ed). Dicionário Bíblico Wycüffe. 7.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp. 417-18).


Respostas da Lição 08: Não matarás

** Todo o conteúdo desta lição estará disponível em PDF a partir das 15:30h de quinta-feira dia 19/02/2015 (horário de Brasília/DF) - O Editor

O homem tem o direito de tirar a vida do outro?

Não. Explique que a vida é um dom de Deus e homem algum tem o direito de tirá-la.

O que você entende por "a santidade da vida"?

Resposta livre, mas deixe claro que a vida é um dom divino e, por isso, santa.

Por que ninguém tem o direito de tirar a vida do outro?

Porque ela é um dom de Deus. Logo, somente Ele tem o direito de dar fim aos dias de uma pessoa.

Deus perdoa quem comente o assassinato?

Se houver arrependimento sincero, Ele perdoa.

Quanto ao "aborto", a posição do crente deve ser contrária. Comente.

Sim. O aborto é o assassinato de uma vida.


Respostas da lição 09 - Não adulterarás

Sobre o sétimo mandamento:

O adultério destrói a família. Por quê?
Sim. Ele destrói a família porque quebra a aliança assumida pelo casal diante de Deus e da sociedade. A infidelidade destrói a harmonia no lar e desestabiliza a família.

O adultério refere-se apenas ao envolvimento sexual de pessoas casadas?
Não. Refere-se também ao relacionamento sexual entre uma pessoa solteira e uma casada.

Por que o adultério é destrutivo para a família?
Porque é uma loucura que compromete a honra e a reputação do casal.

Por que o casamento é uma instituição divina?
Porque foi planejado e criado pelo Senhor.

Qual o limite entre o "simples olhar" e o "olhar malicioso"?
O olhar malicioso é o que cobiça com o desejo de possuir o outro.



EDB 2015 - Lição 09 - Não adulterarás


EDB 2015 - Lição 09 - Não adulterarás
Lição de número 09 da Escola Dominical a ser ministrada em todas as Assembleias de Deus no Brasil


INTRODUÇÃO

O sétimo mandamento condena o adultério e a impureza sexual com o objetivo de proteger a família. A Bíblia não condena o sexo; a santidade dele é inquestionável dentro do padrão divino, mas sua prática ilícita tem sido um dos maiores problemas do ser humano ao longo dos séculos. sétimo mandamento é tratado de uma maneira na lei, e de outra na graça. Um olhar no episódio da mulher adúltera (3o 8.1-11) mostra que tal preceito foi resgatado pela graça e adaptado a ela, e não à lei.

I. O SÉTIMO MANDAMENTO

1. Abrangência. Trata de um tema muito abrangente, que envolve sexo e casamento num contexto social contaminado pelo pecado. O mandamento consiste em uma proibição absoluta, sem concessão, expressa de maneira simples em duas palavras: "não adulterarás" (Êx 20.14; Dt 5.18). Sua regulamentação para os israelitas pode ser encontrada nos livros de Levítico e Deuteronômio, que dispõem contra os pecados sexuais, a prostituição e toda forma de violência sexual com suas respectivas sanções. 

2. Objetivo. O Decálogo segue uma lógica. Primeiro aparece a proteção da vida, em seguida vem a família e depois os bens e a honra. O mandamento "não adulterarás" veio para proteger o lar e dessa forma estabelecer uma sociedade moral e espiritualmente sadia. A proibição aqui é contra toda e qualquer imoralidade sexual, expressa de maneira genérica, mas especificada em diversos dispositivos na lei de Moisés.

3. Contento. Promulgada numa sociedade patriarcal que permitia a poligamia. Nesse contexto social, o adultério na lei de Moisés consistia no fato de um homem se deitar com uma mulher casada com outro homem, independentemente de ser ele casado ou solteiro. Os infratores da lei deviam ser mortos, tanto o homem quanto a mulher (Dt 22.22; Lv 20.10).

II. INFIDELIDADE

1. Adultério. É traição e falsidade. É a quebra de uma aliança assumida pelo casal diante de Deus e da sociedade, uma infidelidade que destrói a harmonia no lar e desestabiliza a família. A tradição judaico-cristã leva o assunto a sério e considera o adultério um pecado grave. Trata-se de uma loucura que compromete a honra e a reputação de qualquer pessoa, independentemente de sua confissão religiosa ou status social (Jr 29.23; Pv 6.32,33).

2. Sexo antes do casamento. Esta prática está muito em voga na sociedade moderna, mas nunca teve a aprovação divina, e por isso os jovens devem evitar essas coisas (Sl 119-9). Em Israel, os envolvidos em tal prática, desde que a mulher não fosse casada ou comprometida, não eram condenados à morte. A pena era menos rigorosa, mas o homem tinha de se casar com a moça, pagar uma indenização por danos morais ao pai da jovem e nunca mais se divorciar dela (Dt 22.28,29). Hoje, esse tipo de pecado requer aplicação de disciplina da Igreja, mas nem sempre o casamento deles é a solução.

3. Fornicação. A "moça virgem, desposada com algum homem" (Dt 22.23) diz respeito, no contexto atual, à noiva que ainda não se casou, mas está comprometida em casamento. Trata-se do pecado sexual de fornicação praticado com consentimento mútuo. A pena da lei é a morte por apedrejamento, como no caso de envolvimento com uma mulher casada (Dt 22.24). A razão desta pena vai além do simples ato, pois se trata da quebra de fidelidade, "porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim, tirarás o mal do meio de ti" (Dt 22.24b).

III. OUTROS PECADOS SEXUAIS

1. Estupro. A lei contrasta a cidade com o campo para deixar clara a diferença entre estupro e ato sexual consentido. Os versículos 25-27 tratam do caso de violência sexual, pois no campo a probabilidade de socorro era praticamente nula, e a moça era forçada a praticar o ato (22.25). Neste caso, somente o estuprador era morto, acusado de crime sexual, mas a moça era inocentada (Dt 22.26,27).

2. Incesto. A lei estabelece a lista de parentesco em que deve e não deve haver casamento, para evitar a endogamia e o incesto (Lv 18.6-18). Mais adiante, a lei prescreve as penas de cada grupo desses pecados (Lv 20.10-23). "Nenhum homem tomará a mulher de seu pai" (Dt 22.30). A lei dispõe contra a prática sexual execrável de abusar da madrasta. É o pecado que desonra o pai, invade e macula o seu leito. Quem pratica tal abominação está sob a maldição divina (Dt 27.20). Na lei, o assunto pertence ao campo jurídico e a condenação prevista é a morte (Lv 20.11). Entretanto, estamos debaixo da graça, e por essa razão o tema é levado à esfera espiritual, cuja sanção se restringe à perda da comunhão da Igreja (1 Co 5.1-5). A sábia decisão apostólica é a base para o princípio disciplinar que as igrejas aplicam hoje.

3. Bestialidade. É uma aberração sexual, tanto masculina como feminina, contra a qual a lei dispõe tendo como sanção a pena de morte, seja para o homem, seja para a mulher e também para o animal, que devia ser morto (Lv 20.15,16). Bestialidade e homossexualismo desonram a Deus e eram práticas cananeias, razão pela qual os cananeus foram vomitados da terra (Lv 18.23-28).

IV. O ENSINO DE JESUS

1.O sétimo mandamento nos Evangelhos. O Senhor Jesus reiterou o que Deus disse no princípio da criação sobre o casamento, que se trata de uma instituição divina, uma união estabelecida pelo próprio Deus (Mt 19.4-6). Ele também se referiu ao tema do sétimo mandamento de maneira direta e indireta. Direta ao fazer uso das palavras "não adulterarás" ou "não cometerás adultério" no Sermão do Monte (Mt 5.27), na questão do moço rico (Mt 19.18) e nas passagens paralelas (Mc 10.19; Lc 18.20). Indireta quando fala acerca do divórcio, tema pertinente ao sétimo mandamento (Mt 19.9; Mc 10.11,12).

2.O problema dos escribas e fariseus. Mais uma vez Ele corrige o pensamento equivocado das autoridades religiosas de Israel. Os escribas e fariseus haviam reduzido o sétimo mandamento ao próprio ato físico, pois desconheciam o espírito da lei, apegavam-se à letra dela (2 Co 3.6). Assim, como é possível cometer assassinato com a cólera ou palavras insultuosas, sem o ato físico (Mt 5.21, 22), da mesma forma é possível também cometer adultério só no pensamento (Mt 5.27,28).

3. A concupiscência. Há diferença entre olhar e cobiçar. O pecado é o olhar concupiscente. 0 sexo é santo aos olhos de Deus, desde que dentro do casamento, nunca fora dele. O livro de Cantares de Salomão mostra que o sexo não é apenas para procriação, mas para o prazer e a felicidade dos seres humanos. Jesus não está questionando o sexo, mas combatendo a impureza sexual e o sexo ilícito, a prostituição. O Senhor Jesus disse que os adultérios procedem do coração humano (Mt 15.19).

Conclusão

Cremos que Deus sabe o que é certo e o que é errado para avida humana. A bíblia é o manual divino do fabricante e é loucura querer ir contra ele. A sanção contra os que violarem o sétimo mandamento, na fé cristã, não vai além da disciplina da Igreja e, em alguns casos, do caos na família. Mas o julgamento divino é tão certo quanto a sucessão dos dias e das noites, e a única salvação é Jesus (At 16.31; 17.31).



Subsídios da lição 09 - Não adulterarás

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"Geralmente o adultério era perdoado nas culturas pagãs, particularmente quanto à parte do homem que, embora fosse casado, não era acusado de adultério a não ser que coabitasse com a esposa de outro homem ou com uma virgem que estivesse noiva. O adultério é estritamente proibido tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento {Rm 13-9; Gl 5.19}.

Na Bíblia, o termo adultério é muitas vezes utilizado como uma metáfora para representar a idolatria ou apostasia da nação e do povo comprometido com Deus. Exemplos disso podem ser encontrados em jeremias 3.8,9; Ezequiel 23-26,43; Oseias 2.2-13)


(PFEIFFER, Charles F. {Ed). Dicionário Bíblico Wycliffe. 7.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 35).


SUBSÍDIO TEOLÓGICO

'Incesto - O crime de coabitação ou relacionamento sexual com familiares ou parentes, que é proibido na lei de Moisés (Lv 18. 1-18). Â lista apresentada por Moisés é precedida por uma advertência de que Israel não deveria entregar-se aos pecados dos egípcios a quem eles haviam acabado de deixar, ou dos cananeus para cuja terra Deus os estava trazendo. A lista dos relacionamentos proibidos inclui; mãe, madrasta, irmã ou meia-irmã, neta, filha de uma madrasta, uma tia de ambos os lados, a esposa de um tio por parte de pai, nora, cunhada» uma mulher e sua filha, ou neta, a irmã de uma esposa viva. Uma filha e uma irmã por parte de pai e mãe não são mencionados especificamente, uma vez que já são classificadas como 'parenta da sua carne' (v.ô)" 


(PFEIFFER, Charles F. (Ed). Dicionário Bíblico Wycliffe. 7 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 966).


SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"O Senhor Jesus estendeu a culpa pelo adultério da mesma forma como fez para outros mandamentos, incluindo o propósito ou o desejo de cometê-lo ao próprio ato em si (Mt 5,28), Tecnicamente, o adultério se distingue da fornicação, que é a relação sexual entre pessoas que não são casadas. Entretanto, a palavra grega porneia, uniformemente traduzida como 'fornicação', inclui toda lascívia e irregulandade sexual)" (PFEIFFER, Charles F (Ed). Dicionário Bíblico Wycliffe. 7.ed, Rio de janeiro: CPAD, 2010, p. 35).


Subsídios da Lição 10 - Não furtarás

SUBSÍDIO TEOLÓGICO I

"Furto - A palavra grega nosphizomai foi assim traduzida em Tito 2.10. Paulo insiste na necessidade de o servo cristão (doulos) evitar responder e 'furtar'. Essa palavra significa 'roubar' ou se apropriar ilegalmente de alguma coisa, como Acã fez em Jericó (Js 7.1). 0 mesmo verbo grego é usado em Atos 5.2,3, onde Ana- nias apropriou-se ou conservou para si mesmo uma parte da venda de uma propriedade" 

(PFEÍFFER, Charles F. (Ed). Dicionário Bíblico Wycliffe. 7.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p. 827).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO II

"Também passa a ser roubo o ato de tirar vantagens de outrem na venda de propriedades ou produtos, ou na administração de transações comerciais. É impróprio pagar salários mais baixos do que devem receber por direito. O amor ao dinheiro é o pecado básico condenado por este mandamento. A obediência é perfeita somente com um coração puro" 

{Comentário Bíblico Beacon.Vol 1. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 191)


SUBSÍDIO TEOLÓGICO III

"Minar era a ação de cavar uma parede de barro em propriedade alheia. Se o intruso fosse pego no ato e morto, não haveria de culpar a quem o matasse. Tratava-se de homicídio justificável. Se houvesse decorrido tempo, como dão a entender as palavras ‘se o sol houver saído sobre ele", então matar o ladrão não seria justificável e tal assassinato estaria sujeito à pena. É possível que o significado desta cláusula seja que não havia culpa matar o ladrão à noite, mas que constituía delito fazê-lo durante o dia. Em todo caso; se o ladrão vivesse, teria de fazer restituição total ou, se não pudesse pagar, seria vendido como escravo.

Se o ladrão não tinha matado ou vendido o animal que roubara, ele poderia fazer restituição pagando em dobro em vez de quatro ou cinco vezes mais. Neste caso, ele devolveria o animal roubado e acrescentaria mais um" 

(Comentário Bíblico Beacon, Vol 1. l.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.197).


Respostas da Lição 10 - Não furtarás

Sobre o oitavo mandamento:

A propriedade é um direito do ser humano?
Sim. Deus deu lei a Moisés para proteger os bens do seu povo.

Por que a pessoa não deve furtar o que pertence ao outro?
Porque tal ato, além de ser pecado contra Deus, prejudica o próximo.

Para você, quais outras modalidades podem ser consideradas furtos?
Oriente os alunos quanto à compra de produtos piratas. Tal atitude é ilegal e macula a Igreja de Cristo.

Se uma pessoa rouba a outra, mas se arrepende, o que ela deve fazer?
Em primeiro lugar, pedir o perdão de Deus, pedir perdão à vítima e restituí-la.

EBD 2015 - Lição 10 - Não furtarás


EBD 2015 - Lição 10: 
Lição de número 10 da Escola Dominical a ser ministrada em todas as Assembleias de Deus no Brasil

INTRODUÇÃO

O oitavo mandamento é o terceiro da série de proibição absoluta expresso com duas palavras e fala basicamente sobre dinheiro e bens, trabalho e negócios. Não pode haver paz numa sociedade se não houver respeito mútuo pela propriedade. Todo ser humano tem o direito de possuir bens e propriedades e, tendo conseguido as coisas de maneira lícita, ninguém tem o direito de privá-lo de suas conquistas.

I. O OITAVO MANDAMENTO

1. Abrangência. Numa leitura superficial, parece tratar- se apenas da proibição de simples furto ou mesmo da aquisição ilegítima de propriedades ou possessões de outras pessoas ou grupos. Mas o mandamento vai muito além disso. Diz respeito a qualquer negócio com vantagem ilícita e que deixe o outro no prejuízo (Lv 6.2; 19.11,13). Estende-se ainda à provisão de emprego para que todos possam ganhar seu sustento de maneira digna e honrada, e isso envolve justiça social (Pv 14.34). Este é o grande desafio dos governantes no mundo inteiro.

2. Objetivo. O propósito do mandamento "não furtarás" (Êx 20.15; Dt 5.19) é a proteção e o respeito pelos bens alheios e pelo próximo. Vinculado a este mandamento está o trabalho como recurso para que cada um possa obter o sustento de sua família de maneira digna (Ef 4.28). A legislação é dada a Israel numa estrutura hipotética utilizando-se de suposições, um estilo de fácil compreensão (Êx 22.1-15). A desonestidade em todas as suas modalidades é um câncer na sociedade, um mal que precisa ser erradicado.

3. Contexto. Segundo tradição rabínica, o sentido primário deste mandamento era a proibição de rapto de pessoas para serem vendidas como escravos. 0 mesmo verbo hebraico ganav, "furtar", é usado para tráfico de pessoas (Êx 21.16; Dt 24.7). Esse tipo de crime era comum naquela época; o rapto de José do Egito é uma amostra daquele contexto social (Gn 37.22-28). 0 Novo Testamento menciona essa prática perversa (1 Tm 1.10). A interpretação rabínica é aceitável e tem apoio da maioria dos expositores do Antigo Testamento, mas o oitavo mandamento não se restringe a isso. 

II. LEGISLAÇÃO MOSAICA SOBRE O FURTO

1. A pena por furto de bois e ovelhas. A estrutura do sistema mosaico, aqui, pertence ao campo jurídico. Na nova aliança, ao campo espiritual (1 Co 6.10). A pena para quem furtasse animais em Israel era a restituição de cinco para cada boi e de quatro para cada ovelha (Êx 22.1 ou 21.37 na Bíblia Hebraica). Era uma pena mais leve que a do Código de Hamurabi, cuja restituição era de trinta vezes para cada animal. Mas, se o animal estivesse vivo, a punição era restituir o dobro (Êx 22.4). A pena era atenuada ainda mais se o ladrão confessasse voluntariamente o furto: seria então de vinte por cento (Lv 6.4,5).

2. Furto à noite com o arromba- mento da casa. Segundo a lei, se o dono da casa se deparar com o ladrão dentro de casa à noite e o matar, ele "não será culpado de sangue" (Êx 22.2). Não se trata, pois, de um assassinato premeditado (Êx 21.12,13); além disso, a escuridão nem sempre permite identificar o ladrão, e o tal arrombador também pode estar armado. O dono da casa pode ainda alegar legítima defesa.

3. O ladrão do dia. A lei protege a vida do ladrão. Se ele for apanhado em flagrante durante o dia, o dono da casa "será culpado de sangue" se o matar (Êx 22.3a). Nesse caso, a pena aplicada ao ladrão é a restituição: "O ladrão fará restituição total; e se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto" (22.3b). Esse trecho parece ter sido deslocado do versículo 1. Se o ladrão capturado não tiver como restituir o roubo, como manda a lei, ele será vendido como escravo; dentro do regime mosaico, espera-se com isso que ele aprenda a lição (Êx 21.2).

III. SOBRE OS DANOS MATERIAIS

1. Animal solto. Aqui a lei fala sobre responsabilidade de cada um pelo bem-estar da sociedade. Quem possui animais deve ter o cuidado para não perturbar o vizinho. O texto se refere à destruição no campo, na lavoura ou nas demais plantações. 0 dono do animal é condenado pela lei a indenizar o proprietário prejudicado com o melhor de seu campo, visto que o estrago no campo, ou na vinha do outro, não foi voluntário, ele apenas largou o animal deixando-o solto (Êx 22.5).

2. A queimada involuntária. A lei responsabiliza o culpado pela destruição da propriedade, ou lavoura de outrem por descuido que tenha levado o fogo a queimá-la (Êx 22.6). O responsável pelo estrago tem de reparar os prejuízos indenizando o proprietário prejudicado. Havia na Palestina cerca de setenta espécies de espinhos que serviam de muros divisórios de propriedades e rodeavam plantações de trigo (Is 5.5). Isso gerava também conflitos na demarcação de terras (Dt 19.14; 27.17; Pv 22.28).

3.O furto e o ladrão. A lei aqui trata da guarda de dinheiro e bens. O termo usado para "prata", em hebraico, é kessef "dinheiro" e "objetos", e kelim, "artigos, utensílios, vasos", traduzido também por "traje, roupa, veste" (Dt 22.5). Se alguma dessas coisas estiver sob a proteção de alguém e for roubada, o ladrão retribuirá em dobro caso seja descoberto (Êx 22.7). Mas, se o autor do furto não for encontrado, o responsável pela custódia terá de provar sua inocência diante dos juizes (Êx 22.8).

IV. O TRABALHO

1. Uma bênção. No Jardim do Edén, Deus pôs o homem para trabalhar, mesmo antes da queda (Gn 1.26-28; 2.15). A Bíblia está cheia de ensinamentos sobre o trabalho (Êx 34.21; 2 Ts 3.10). O trabalho realiza o ser o humano. O que pode, às vezes, fazer disso um tédio são os baixos salários, as péssimas condições de trabalho e a opressão dos maus patrões (Tg 5.4- 6), mas o trabalho em si é gratificante (Ec 3.22). O patrão deve ter o cuidado para não atrasar o pagamento de seus empregados (Lv 19-13) e estes devem ser honestos naquilo que fazem e dizem (Cl 3.22-25).

2. Os bens. Jesus renunciou à riqueza (2 Co 8.9; Fp 2.6,7) e, pelo que parece, esperava o mesmo dos discípulos (Lc 9.3; 10.4; 14.33). Além disso, Jesus mandou que o moço rico desse seus bens aos pobres (Mt 19.21), mas não exigiu isso de Zaqueu, que se prontificou livremente em doar metade de seus bens aos pobres (Lc 19-8). Não é requerido voto de pobreza para ser cristão, mas a riqueza pode ser um tropeço na vida cristã (Mt 13.22). A fé cristã não condena os bens materiais, desde que adquiridos com honestidade. É o amor ao dinheiro, e não o dinheiro em si, a raiz de toda a espécie de males (1 Tm 6.9,10).

3. O Novo Testamento. O oitavo mandamento é reafirmado diversas vezes no NT (Mt 15.19; Rm 2.21; 13.9; 1 Pe 4.15), mas adaptado à graça, pois as sanções previstas no sistema mosaico não aparecem na Nova Aliança. O Senhor Jesus disse: “Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também" (Jo 5.17). O apóstolo Paulo encoraja o trabalho não somente para o sustento da família (1 Tm 5.8), mas também para que cada um contribua para suprir a necessidade do próximo (Veja 2 Coríntios nos capítulos 8 e 9).

CONCLUSÃO

O cristão deve ter bom testemunho (1 Co 10.32) e exalar o bom perfume de Cristo (2 Co 2.15) onde viver e por onde passar, e dessa maneira Deus será glorificado (Mt 5.16).

04/02/2015

Subsídio I da Lição 07: Honrarás pai e mãe

SUBSÍDIO DE VIDA CRISTÃ

"Os filhos são bênçãos de Deus para os casais a fim de preenchê-los e complementá-los. Os filhos alegram uma casa, trazem plenitude ao casamento e estendem o nome e a memória dos pais, São, na verdade, o grande empreendi» mento de um casal, mais do que casa ou bens, pois além de serem fruto do dom divino de gerar vida outorgado ao casal, ainda são indivíduos a quem podemos chamar de 'nossos".

Contudo, por mais gratificante que seja ser pai ou mãe, gerar um filho é só o primeiro ato da paternidade ou maternidade, Â partir da fecundação, da vida criada ainda no útero materno, há um ser a formar, uma pessoa a construir, uma responsabilidade a considerar. Filho é uma pedra preciosa bruta e rara que Deus entrega aos pais, e o dever deles é esculpir, limpar e moldar o novo ser de forma a torná-lo único, para posterior- mente devolvê-lo a Deus na forma de um adulto feliz, íntegro e temente a Deus.

Educar um filho, portanto, é muito mais do que ensinar regras básicas de educação, pagar os estudos, e dar comida e moradia. Educar um filho é formar uma pessoa, moldar seu temperamento,
construir seu caráter e direcionar sua vida espiritual para Deus" 



(CRUZ, Elaine. Formando Filhos para Deus. cpadnews. com.br. Rio de Janeiro, Out 2014.).


Leia também: 
Subsídio [1] e [2]

Subsídio II da Lição 07: Honrarás pai e mãe

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

"O que um leitor da Bíblia poderia esperar é 'Obedece a teu pai e a tua mãe’. Obedecer, contudo, é mais fácil que honrar. Pode-se odiar e obedecer, mas é impossível odiar e honrar.

A gravidade da ordem é reforçada pela escolha do verbo 'honrar'. Por diversas vezes, ele é usado com Deus como objeto (1 Sm 2.30; Sl 50.23; Pv 3.9; Is 29.13; 43.20,23). Tanto Deus como os pais são dignos de honra, Esse termo hebraico é ocasionalmente traduzido por 'glorificar', e descreve como Deus deve ser adorado (Sl 22.23; 50.15; 86.9,12; Is 24.15).

Isso não quer dizer que os pais são dignos de adoração. Jesus citou e corroborou o quinto mandamento (Mt 15.4; Mc 7,10; também Paulo o fez em Efésios 6.2), mas também disse: 'Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim* (Mt 10.37). Os pais, como parte dos 'outros deuses' proibidos no primeiro mandamento, seriam deuses por demais impotentes.

Como Levítico 19.3, ainda que em ordem oposta, os mandamentos sobre guardar o sábado e honrar pai e mãe estão juntos. Possivelmente, a relação entre os dois está na ideia de que observar o sábado é uma forma de honrar a Deus e, portanto, corresponde a honrar os pais" 


(HAMILTON, Victor. Manual do Pentateuco. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.223).


Leia também: 
Subsídio [1] e [2]

Respostas da Lição 07: Honrarás pai e mãe

Como os filhos devem honrá-los?

Devotando-lhes todo o respeito, a atenção e a obediência devida.

Qual é o dever dos filhos para com os seus pais na velhice?

Cuidar dos pais em tudo o que for necessário.

O Evangelho exige que os filhos deixem de cuidar dos pais para dar dinheiro à obra de Deus?

Não! Essa era a desculpa das autoridades religiosas de Israel para não assistirem os pais na velhice.

Os filhos não podem desacatar os pais (cf. Ef 6.1-3). Por quê?

Porque as Escrituras colocam os pais em posição de honra.

Os pais podem despertar a ira nos filhos (cf. Ef 6.4)?

Não. As Escrituras orientam aos pais a não despertarem a ira nos filhos.


Leia também: 
Subsídio [1] e [2]

EBD 2015 - 1° Trimestre - Lição 07: Honrarás pai e mãe


Lição de número 07 da Escola Dominical a ser ministrada dia 15/Fevereiro/2015 em todas as Assembleias de Deus no Brasil

INTRODUÇÃO

O quinto mandamento era originalmente uma ponte entre as obrigações do israelita com Deus e as do israelita com seu próximo, e liga os quatro primeiros mandamentos aos cinco seguintes. Oito dos dez mandamentos do Decálogo são proibições e dois são positivos, o quarto e o quinto. Temos aqui o segundo mandamento apresentado em fórmula positiva.

I. O QUINTO MANDAMENTO

1. Os pais biológicos. O propósito divino aqui é a sustentabilidade da estrutura familiar e a santificação da ordem social. Os pais são representantes de Deus na família; honrá-los e temê-los significa fazer o mesmo em relação a Deus. São eles que geram os filhos e são responsáveis pelo bem-estar deles, pelo seu sustento, alimentação, vestes, saúde e educação. Não existe na vida alguém mais importante para o filho do que o pai e a mãe, pois eles são seus heróis. Esse relacionamento é semelhante ao de Javé com o seu povo Israel (Dt 1.31; Ml 1.6).

2. Os pais espirituais. A expressão "o teu pai e a tua mãe" se aplica também aos pais espirituais, que devem ser honrados e respeitados pelos filhos na fé. Isso é visto na lei (2 Rs 2.12; 13.14) e na graça (1 Tm 1.2; 2 Tm 1.2; 2.1; Tt 1.4). A figura do governante também se assemelha à dos pais; veja como Débora se considera mãe de Israel (Jz 5.7). Assim, o mandamento abrange as autoridades espirituais e civis, que devemos respeitar.

3. Os pais intelectuais. O respeito e a honra se devem também a quem se destaca pelo conhecimento em qualquer área. Isso é visto no Faraó que constituiu José como primeiro ministro do Egito (Gn 45.8). Isso deve servir como exemplo nas igrejas atuais. Muitos cristãos hoje precisam aprender a lição desse Faraó. Em qualquer lugar em que chegarmos, iremos sempre encontrar alguém melhor do que nós em alguma área, e devemos ter humildade suficiente para reconhecer essa autoridade.

II. OBEDIÊNCIA

1.O verbo honrar. Honrar pai e mãe é mandamento divino, e não sugestão humana (Êx 20.12; Dt 5.16; Mt 15.4). O verbo honrar, kaved, é um imperativo intensivo hebraico, do qual vem o substantivo kavod, "honra, glória". A raiz desse verbo aparece em todas as línguas semíticas, com exceção do aramaico, e o significado é de "ser pesado", sentido figurado, cuja ideia é de ser importante (Nm 22.15). É usado no Antigo Testamento com vários significados. Um deles diz respeito ao temor, ao reconhecimento, responsabilidade e autoridade; em nosso contexto, refere-se a alguém merecedor de respeito, atenção e obediência (Lv 19.3).

2. Filho adulto. A ordem divina é para os adultos; não se restringe à infância e adolescência. Não importa o estado civil ou o status social, todos devem respeitar e reverenciar de coração os pais. Em nenhum lugar da Bíblia ensina que essa ordem seja somente para crianças e adolescentes. Quando o moço e a moça chegam à maioridade, ou mesmo se casam, seus pais continuarão sendo os seus genitores e os filhos devem honrá-los e respeitá-los.

3. À luz da exegese. 0 termo grego usado em Efésios para "filhos" é tekna, plural de teknon; que indica descendente imediato sem especificar sexo ou idade. Aparece cinco vezes nesta epístola: "filhos da ira" (2.3); "filhos amados" (5.1); "filhos da luz" (5.8). Somente 6.4 sugere criança ou adolescente. Em 6.1 parece ambíguo; seria precipitação aplicar esse ensino apenas às crianças e adolescentes. O verbo "obedecer" está na voz ativa, mostrando que se trata de pessoas moralmente livres para assumir uma responsabilidade diante de Deus (Ef 6.1).

III. SUSTENTO

1. Cuidado. O sentido de deixar pai e mãe quando se casa (Gn 2.24) é a construção de um novo lar, e não o abandono dos pais. Deus é justo e retribuirá tudo o que o filho fizer com o pai e com a mãe. Quem age dessa forma está semeando para o seu próprio futuro, pois colherá isso na velhice. Há inúmeros exemplos no Antigo Testamento da responsabilidade do filho em cuidar do sustento dos pais (Gn 47.12; Js 2.13,18; 6.23; l Sm 22.3). O Senhor Jesus citou e viveu este mandamento (Mt 15.4, 5; 19.19; Mc 7.10-12; Lc 2.51).

2. Oferta Corbã. O termo "corbã", korban, é aramaico e significa literalmente "sacrifício", mas o contexto aqui é algo muito triste. Trata-se de um artifício para fugir "legalmente" do compromisso de sustentar pai e mãe na velhice. 0 filho podia ser absolvido dessa responsabilidade se fizesse uma promessa de doação em dinheiro destinada ao Templo (Mc 7.11,12). Era uma desculpa para não ajudar os pais, pois se consagrava a Deus tudo o que possuía. Assim, ele dizia aos pais que não podia oferecer ajuda nem fazer nada por eles porque tudo já estava comprometido diante de Deus.

3. Ensino de Jesus. Deus não exige esse tipo de oferta de ninguém em sua Palavra, por isso o Senhor Jesus foi contundente com as autoridades religiosas de Israel. Essa doutrina dos fariseus era uma afronta a Deus e à sua Palavra (Mc 7.13). Eles violavam a lei sob um manto de santidade, exibindo uma religiosidade externa e falsa. Ninguém precisa sacrificar a família pela causa do evangelho. Quem cuida do pai e da mãe já está fazendo a obra de Deus; o cuidado da família deve ser prioritário, só depois é que vem a Igreja (1 Tm 5.8). Esse é o pensamento cristão, que muitas vezes, infelizmente, é invertido entre nós. 

IV. ENTRE A LEI E A GRAÇA

1. Autoridade dos pais. Honrar e respeitar pai e mãe é um ensinamento que ocupa um lugar de elevada consideração na Bíblia. Desobedecer aos pais é desobedecer a Deus, pois estão investidos de autoridade divina sobre a vida dos filhos e receberam de Deus a responsabilidade pelo bem-estar deles. A observação "porque isto é justo" (Ef 6.1) ou "porque isto é correto", como diz outra tradução (NTLH), significa tratar-se de uma lei natural que existe desde o princípio do mundo. Deus já havia colocado a sua lei no coração de todos os homens, mesmo antes de se revelar a Moisés no Sinai (Rm 1.19; 2.14,15). Essa norma existe em todas as civilizações antes e depois de Moisés, e foi dada a Israel como revelação e mandamento divinos (Mt 15.4).

2.O sistema mosaico. A promessa aos filhos que honram e obedecem aos pais, descrita no Decálogo, é a longevidade: "para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá" (Êx 20.12). A passagem paralela de Deuteronômio acrescenta o sucesso econômico: "para que te vá bem" (Dt 5.16). Temos aqui uma prova incontestável de que originalmente este mandamento era exclusividade de Israel, pois fala sobre herdar a terra de Canaã.

3. Adaptado sob a graça. O apóstolo Paulo deliberadamente combina as palavras do quinto mandamento em ambos os textos do Decálogo, Êxodo e Deuteronômio: "Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa, para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra" (Ef 6.2,3). Aqui, a Terra Prometida não é citada nem especificada como no Decálogo: "que te dá o SENHOR, teu Deus". A Igreja, o povo de Deus do novo concerto, não tem terra para herdar, pois a nossa herança é o céu (Fp 3.20). Somos uma congregação de estrangeiros e peregrinos no mundo (1 Pe 2.11).

CONCLUSÃO 

O quinto mandamento é de fundamental importância para conservar uma sociedade estável. Todavia, o cristão o observa como resultado da sua nova vida em Cristo, e não por coerção da lei, que condena à morte os filhos rebeldes (Êx 21.15,17; Lv 20.9; Dt 21.18-21), pois na graça somos guiados pelo Espírito Santo para as boas obras que Deus preparou para andarmos nelas. Não desperdice, portanto, o privilégio e a oportunidade de honrar seu pai e sua mãe, para não perder as bênçãos de Deus. 

Leia também: 
Subsídio [1] e [2]

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