20/11/2013

Sinais de um povo apostólico?

No decorrer desta última semana, vimos a repercussão do maior escândalo de corrupção do Brasil chegando a um resultado surpreendente: a prisão de políticos corruptos, já condenados pelo Supremo. Embora tímida, a repercussão aponta para algumas realidades:

1- O partido que detém o poder há mais de uma década, nunca sequer cogitou a possibilidade de excluir seus pares que tiveram envolvimento neste esquema de corrupção, pelo contrário, tratam-os como heróis, vítimas de perseguição política (mesmo sendo do partido que governa este País e que detém maioria na Câmara e Senado...)

2- A defesa que se faz a este que é tido como o partido dos trabalhadores, na verdade, uma quadrilha, por intelectuais, defendendo estes que, comprovadamente, são os maiores traidores da Democracia, outrora defendida de forma incomparável.

3- Uma oposição incapaz de gritar aos quatro cantos deste Brasil o quão nocivo é este partido que, prostituído ao poder, não procura pautar-se em questões como Ética, verdade e demais pressupostos básicos no que tange a uma gestão publica eficaz. 

4- O silêncio de um povo que,  revoltoso pelo aumento de 20 centavos no transporte, nada fala ou faz na busca de uma sociedade mais justa, fraterna e menos desigual.

5- Por fim, o silêncio de uma igreja que, satisfeita com as posições ofertadas pelo poder, concedidas por estes que o detém, parece não se incomodar com os desvios e ações daquilo que acontece diante de seus olhos, ao que tudo indica, padrões de moralidade sexual incomodam mais a esta igreja que a comprovada atuação de filhos de Belial nos Palácios.

E, observando este último ponto da nossa análise, realmente parece que a necessidade por uma sociedade mais justa, fraterna e menos desigual, é menos importante dentro dos Templos ditos Reformados. Há sim, uma necessidade iminente de apresentar à sociedade, apresentar ao Brasil um Cristo que não é apresentado; há sim, a necessidade de reformular a mensagem que sai dos lábios dos pregadores, cantores, pastores, e de todos os 'evangélicos', apontando uma solução efetiva para a desgraça na qual muitos de nós vivemos;  foi-se o tempo onde a única fonte de respostas para os nossos questionamentos baseava-se na (falsa) teologia da prosperidade, já estamos fartos de uma mensagem que, de fato, não aprimora o espírito, não molda o caráter e é ineficiente na tentativa de prover justiça aos homens. De fato, tudo isto cumpriu um papel social espetacular ao apresentar ao mundo uma igreja mais popular, um evangelho mais simplificado, com partes suprimidas e ocultadas pelos líderes,mas, passado o tempo desta revolução de fé, ou de uma nova fé, já é hora de firmar-se a uma mensagem que possa satisfazer o espírito na jornada de modelagem da alma.

A relação, entre os cinco pontos anteriores, referindo-se ao escândalo do Mensalão, não é por acaso, assim fizemos pois mostra o quão acostumados estamos a viver numa superficialidade sem tamanho. Nada mais nos incomoda, ao que tudo indica, somos levados pelos ventos deste mundo, tudo parece ser fruto do acaso, fruto de algo que não temos domínio ou poder, MENTIRA! Há, em nós mesmos, toda a estrutura capaz de desarraigar de nosso interior toda a aceitação do espírito de corrupção e de um caráter imoral, verdade! Pois enquanto atribuirmos a Deus essa responsabilidade, sempre assumiremos uma postura passiva em nossas decisões, agiremos mas colocaremos a cargo de Deus todos os resultados de nossas ações, sejam boas ou ruins. Como crianças mimadas nos colocamos, transferindo para o Eterno toda a responsabilidade por ações danosas que temos. É hora de mudar! 

Aparentemente, muitos se perguntarão: "Mas qual a relação possível entre o fato de corrupção mencionado e o silêncio daqueles que são (?) de Cristo?". A resposta é simples e direta: Todas as possíveis... Ora, se este povo diz carregar as marcas de Cristo, andar com a serpente debaixo do pé, ser de Jesus e adorador verdadeiro, por que motivo este mesmo povo não cumpre a simples missão de ser sal e luz, trazendo às trevas deste mundo a verdadeira face do mal, apresentando a única alternativa capaz de aniquilar desejos e atividades malignas? Ou posso ir mais longe ainda: Será que portamos a luz de Deus ao ponto de fazer a diferença neste mundo? 

Fico por aqui.....
Paz.

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