26/08/2015

Análise das manifestações iniciadas em 2013 até 2015 - Da súplica por um Estado maior até um clamor por menor presença estatal em menos de dois anos



Editorial:


"Análise das manifestações iniciadas em 2013 até 2015 - Da súplica por um Estado maior até um clamor por menor presença estatal em menos de dois anos"

Era o ano de 2013 quando tudo começou. Uma grande multidão conduzia-se rumo a uma  revolta que parecia por algo pequeno,sem valor e extrema irrelevância. Naquele momento,muitos contemplavam perplexos,as ruas completamente tomadas por uma atmosfera que confrontava os homens detentores dos poderes deste País. A mensagem parecia clara e objetiva: queremos um Estado maior, seja capaz de suprir nossas necessidades e, ainda, conceder-nos catracas livres por onde passarmos. A ideia formada na mente  daqueles que ali estavam era de que os governos deveriam suprir tudo através dos 
impostos que pagamos.

Aquela multidão,convocada através das redes sociais,reivindicava que os governos  deveriam aumentar ainda mais de forma a chamar a si próprio a responsabilidade de, por exemplo,pagar nossas passagens no transporte coletivo. Essa proposta ganhou eco logo após o aumento,sem retorno algum e considerado abusivo pelos usuários, do valor das passagens e logo,por todo o País ouviu-se este clamor pelo fim das  catracas.É bem verdade que o grito era contra o aumento considerado abusivo,mas, os movimentos que convocavam as manifestações tinham como uma das pautas principais
o fim do pagamento pelo transporte público. Assim, conferia ao Estado a  responsabilidade de usar o dinheiro arrecadado de impostos,taxas,contribuições, rendimentos com empresas públicas,etc. financiando o transporte público a todos. Ora,vale salientar que dessa forma, o Estado repassaria parte de um dinheiro pago por todos nós para as empresas de transporte.Nisso,mais uma vez estaríamos como  filhos de um Estado cada vez com maior ação na vida das pessoas.

Naquele momento, era difícil visualizar,mas, na realidade, era um aumento de 'Estado' que as pessoas pediam. À medida que o indivíduo transfere suas obrigações para  governos, maior será o poder deste governo,seja ele qual for,sobre o indivíduo. A cada momento que o Estado retira de nós a opção de administrar nossas próprias vidas, colocando-se como o mais indicado para cuidar de nós, retirando-nos,portanto, o poder de escolha, diminuímos com nosso poder de cidadãos que somos,visto que numa sociedade onde há uma grande intervenção estatal, há,inevitavelmente, a perda de direitos  elementares ao cidadão,em outras palavras, quanto maior o Estado,menos direitos civis dispomos! E,há uma certa lógica doentia nisto tudo, pois se alguém lhe concede todas as tuas grandes necessidades básicas (considerando que faria isto...),qual seria o seu direito de questionar alguma coisa? Considere por exemplo um pai ou uma mãe,quanto mais ele(a) põe à disposição de seus filhos, menos poder sobre si mesmos  eles terão,afinal de contas, se são sustentados por seus pais quais seriam seus argumentos para questionar aquela autoridade? Quanto maior a nossa necessidade  de recursos de terceiros, menor nossos direitos perante esta pessoa. 
Findo o Ano de 2013,projetava-se ao longe, mudanças significativas ou pelo menos era no que acreditávamos naquele momento. Como o ano de 2014 era ano eleitoral,  pairava no imaginário nacional mudanças de cenário. No Rio, imaginou-se que Sérgio  Cabral não conseguiria eleger seu sucessor (Pezão),ou que Dilma não seria reeleita e que teríamos um governo de Marina Silva,Eduardo Campos ou Aécio Neves (nessa ordem). Curiosamente,as eleições mostraram que todo o ocorrido em 2013 não serviram de absolutamente nada para uma mudança efetiva na concepção do eleitorado. As velhas raposas do cenário eleitoral continuaram com seus mandatos, e mesmo os mais incapazes,aqueles que não conseguiam ao menos se sair bem nos debates,mantiveram-se no poder.

Mas,nesse espaço de tempo, iniciando nosso olhar em 2013, vemos que muita coisa mudou. Apesar de um ceticismo aparente, é notório que houve um grande despertar que,com uma ideia baseada em conceitos democráticos, levou, já no início do segundo mandato de Dilma, uma multidão para as ruas. Tais manifestações são um marco na História do  Brasil haja vista que estas não são convocadas por movimentos sindicais, ou juventudes de 'esquerda',muito menos por políticos tradicionais. Essa voz, que não tem um rosto, que não tem uma liderança,sai às ruas trazendo de volta uma parte da identidade  nacional,nossas cores verde e amarelo, que foi substituído nos últimos doze anos pelo vermelho. Durante os anos de governo petista, a identidade nacional foi  cuidadosamente levada a imaginar que a nossa história deveria ser escrita a partir  do mito decadente Lula, que ele seria o divisor de águas neste País. A cada momento, porém, fica claro que todas as conquistas anteriores são superiores a Lula ou Dilma e constituem-se base sólida no Brasil,afinal, grandes reformas se deram antes destes que,apesar de forte base aliada,não se propuseram a realizar grandes mudanças estruturais,econômicas,tributárias,sociais,etc. Ficou evidente,portanto, que os dois governos petistas de Lula e Dilma,nunca tiveram uma proposta objetiva para o Brasil, o plano,na verdade,sempre foi pessoal,o projeto era chegar ao poder a qualquer custo e manter-se não importando o seja necessário realizar.O 'projeto criminoso de poder'(Palavras do Ministro Celso de Mello no "Mensalão"),arraigou-se nas estruturas do Estado e vem,ao longo destes governos, financiando sua sede em manter-se através  do dinheiro pago pelo cidadão.

O grito dos mais de 70% que desaprovam este governo é legítimo, não se constitui um'golpe' ou 'terceiro turno',pois questiona a legitimidade da permanência de um governo no poder após o estelionato eleitoral, após sucessivos desmandos na administração pública,e, sem dúvida alguma, após o maior escândalo de corrupção já visto em qualquer governo... (ou na humanidade,quem sabe!?)

O Editor .:. +Gabriel Queiroz 


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