13/03/2017

Perdas e Inevitáveis incertezas...

A sensação de que temos tudo sob controle é algo realmente sublime, não é mesmo? Saber que em nossa família tomaremos as melhores decisões, ou que estamos criando os filhos no caminho que os tornará melhores que nós no futuro, e que em nossa trajetória profissional teremos sempre êxito. Saber o resultado das ações que tomamos hoje, se trará alegria ou tristeza é um desejo da maioria de nós certamente! Enquanto tudo flui exatamente como planejamos ou desenhamos, somos os mais realizados e imaginamos que aquele momento é o reflexo daquilo que será nossa vida constantemente. Basta, porém, um único evento para que tudo aquilo que trabalhamos com muito suor e dedicação seja perdido, nos deixando completamente desmotivados, desanimados, fracos e sem saber que rumo tomar e, por vezes, imaginando que o melhor seja realmente desistir de tudo e simplesmente sumir a admitir um fracasso que quer nos obrigar a começar tudo do início, tudo do 'zero' novamente.


Cristo advertiu sobre a adversidade


O Mestre Jesus, em um de seus discursos mais conhecidos, chegou a ir ao extremo para demonstrar aos discípulos que as situações que se apresentam a nós são, em última análise, fruto da permissão divina sobre nossas vidas. Em Lucas 12:24 o Senhor nos diz: "Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm armazéns nem celeiros; contudo, Deus os alimenta. E vocês têm muito mais valor do que as aves!"(NVI*). Note o leitor que, para os discípulos (Apóstolos), havia uma incerteza que não é a mesma que a nossa. Havia entre os primeiros cristãos, principalmente sobre os Discípulos, um alto preço a ser pago em nome da fidelidade a Cristo e um preço ainda maior na pregação do Evangelho, algo que, pelo menos no Brasil, não é um problema a nós. Eles sofreriam por incertezas que cercavam a caminhada específica deles naquele momento (mas alguns cristãos ainda são perseguidos como eles foram!) e por isso Cristo os preparou, como nos mostra Mateus 5.11-12: "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês". Nesse sentido, os primeiros cristãos foram advertidos pelo próprio Senhor das incertezas que aquele chamado apostólico traria à vida deles.

Jó no tempo presente


Quando olhamos para nossa própria vida, nunca encontramos a satisfação plena. Podemos avaliar nossa existência várias vezes ao dia e, por vezes, em um mesmo dia, encontraremos situações nas quais julgamos que são desnecessárias, olhamos para uma demissão no emprego como algo maligno, vemos o comportamento dos filhos e os julgamos muitas vezes como incapazes ou improdutivos ou como uma 'geração perdida', perdemos bens da noite para o dia e perguntamos o por quê de tudo isso, afinal, por quê de uma hora para outra somos surpreendidos com más notícias, com uma sentença desfavorável, com uma traição na qual não contribuímos para que acontecesse? Andamos corretamente e somos surpreendidos com notícias ruins... Curioso, não? Mantemos uma conduta ilibada, buscando a justiça e mantendo-nos fiéis a uma vida ética mas mesmo assim o mal vem. Podemos, a esta altura do texto, lembrar da história do patriarca Jó, que embora conhecida por todos nós, é uma história realmente inspiradora e, ainda muito atual, e por isso trazemos novamente. O que deve ser levado em consideração são alguns pontos fundamentais:

  1. Mesmo sem erros, é possível ser afligido pelo mal (Jó 1.8-12): Quando dizemos 'mal' nos referimos a qualquer situação perturbadora. No relato da vida de Jó, não há nenhuma conduta reprovada por Deus que pudesse justificar as perdas que ele teve em sua vida; 
  2. Um discurso com grandes verdades do comportamento humano (Jó 30): Uma das confissões mais interessantes que Jó faz em meio ao sofrimento é de como sua situação era tratada pelos homens. O ponto que quero destacar é este: "A verdade é que ninguém dá a mão ao homem arruinado, quando este, em sua aflição, grita por socorro." (Jó 30:24);
  3. O Contraste gera mais sofrimento (Jó 29 e 30): Quando o patriarca observa o tratamento anterior e contrasta com sua situação atual, sofre ainda mais. Se, agora, ninguém dá a mão a ele, antes veja como ele era tratado: "Todos os que me ouviam falavam bem de mim, e quem me via me elogiava." (Jó 29:11). Um dos componentes que mais geram sofrimento é comparar a situação atual, com perdas e derrotas, com a situação anterior, onde nenhum de nossos desejos deixou de ser saciado.

Conclusão e: "Quem (ou o quê) você vai levar na tua vitória???"


Talvez o que deva ser objeto de análise quando perdas e incertezas vêm até nós seja o que aquela perda quer demonstrar em nossa vida, ou de que forma aquela perda me mostra algo que até aquele momento eu não enxergo, ou ainda qual o comportamento das pessoas naquele momento em que não estamos tão bem, afinal, quais pessoas se mantêm junto a nós quando não estamos bem? Quais pessoas nos fazem rir mesmo em meio a um cenário de aparente abandono e derrota? E, ao final, quando nos recuperamos, quais são as pessoas que traremos para junto de nós? Se a resposta for os bajuladores que tínhamos antes, esteja certo de que ainda percorreremos um longo percurso até alcançarmos aquilo que perdemos. Parte da vitória de Jó se deu pois ele selecionou melhor aqueles que participariam das suas vitórias, selecionou melhor quais elogios aceitar e de quais pessoas aceitar, selecionou melhor aqueles que entrariam em sua casa e participariam de sua vida! Pense nisso...

* Bíblia: Nova Versão Internacional
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